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Quanto risco sua empresa consegue carregar?

  • Foto do escritor: Waldemir Queiroz
    Waldemir Queiroz
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

A renovação do seguro entra na pauta.


O corretor apresenta três cenários de franquia: R$ 3 milhões, R$ 5 milhões, R$ 8 milhões.


Os prêmios diminuem. A exposição aumenta.


O CFO analisa os números. Mas a pergunta que realmente importa não está em nenhum slide:


Qual desses valores a empresa consegue absorver sem comprometer a operação?


O silêncio na sala confirma: ninguém tem essa resposta pronta.



O número que falta na equação


Toda decisão de risco envolve um compromisso fundamental: quanto reter e quanto transferir.


Reter mais significa franquias maiores e prêmios menores — mas exposição direta quando o evento acontece. Menor custo fixo, maior impacto no caixa em caso de sinistro.


Transferir mais significa prêmios maiores — mas proteção garantida quando o cenário se materializa.


A lógica é simples.


O problema é que a maioria das empresas toma essa decisão sem conhecer um número essencial: a sua capacidade de absorção de perdas.


Em inglês, Risk Bearing Capacity.

Em português, a pergunta que poucos respondem com precisão:


Qual é a maior perda que podemos absorver sem colocar em risco a continuidade da operação?



Por que esse número normalmente não existe?


Não é negligência. É uma lacuna estrutural — uma falha de integração entre áreas.


A Tesouraria conhece o caixa disponível.

O Controller conhece os covenants.

O Planejamento conhece o CAPEX comprometido.


Mas quem junta essas pontas? Quem desenha a linha vermelha que diz "daqui não passamos"?


Ninguém consolida esses vetores em uma única pergunta objetiva:


Quanto podemos perder?


Como resultado, decisões sobre franquias, limites de cobertura e retenção de risco acabam sendo tomadas por comparação com o mercado, por histórico ou por intuição.


> "No ano passado era R$ 3 milhões, vamos manter."

> "O benchmark do setor é 2% do faturamento."

> "Parece um número confortável."


Nenhuma dessas respostas considera a realidade financeira específica da empresa naquele momento.


E é exatamente aí que o risco deixa de ser gerenciado e passa a ser uma aposta.



O cálculo que o CFO precisa coordenar


A capacidade de absorção de perdas não é um número fixo.


Ela varia conforme o ciclo financeiro da empresa e precisa respeitar múltiplas restrições simultaneamente.


Liquidez imediata


Quanto caixa está disponível sem comprometer as operações?

Uma perda de R$ 10 milhões com caixa livre de R$ 8 milhões é um problema de sobrevivência — não de seguro.


Covenants e obrigações financeiras


Contratos de financiamento frequentemente têm gatilhos atrelados a EBITDA, alavancagem ou índices de cobertura.


Uma perda que deteriora esses indicadores pode acionar vencimento antecipado de dívidas — transformando um evento operacional em crise financeira.


Compromissos de capital


CAPEX já aprovado, aquisições em curso, dividendos anunciados.

Recursos já comprometidos **não estão disponíveis** para absorver perdas.


Acesso a crédito


Em um cenário de perda relevante, a empresa consegue captar rapidamente?

A que custo?


Existem linhas contingentes efetivamente disponíveis?


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O ponto-chave


A capacidade real de absorção de perdas é o menor desses limites.


Se o caixa permitir R$ 15 milhões, mas um covenant é rompido com R$ 8 milhões, a capacidade real é R$ 8 milhões.



O que muda quando esse número é conhecido


Quando a capacidade de absorção está clara, as decisões de risco deixam de ser subjetivas.


Franquias passam a ter um limite objetivo.

 

Se a capacidade é R$ 10 milhões, uma franquia de R$ 12 milhões não é "agressiva" — é imprudente.


A priorização de coberturas se torna racional.


Cenários com perdas acima da capacidade precisam ser transferidos. Abaixo disso, o risco pode ser retido de forma consciente.


A negociação com seguradoras ganha substância.


Em vez de aceitar estruturas padrão, a empresa define o que precisa com base em números próprios.


Provisões e reservas podem ser corretamente dimensionadas.


Se determinados riscos são retidos, o balanço precisa refletir essa decisão.


A pergunta que vem antes da renovação


Voltando àquela reunião: o CFO pode até aceitar qualquer uma das três franquias apresentadas.


Mas uma decisão realmente informada exige uma pergunta anterior — e essa pergunta só ele pode coordenar a resposta:


"Qual é, hoje, a nossa capacidade de absorção de perdas — considerando caixa, covenants, compromissos e acesso a crédito?"


Se a resposta for "não sabemos", qualquer estrutura de seguro é um palpite.


Pode funcionar por acaso.

Pode falhar por omissão.


A diferença entre gestão de risco e compra de seguro está exatamente aí:

uma começa com um número calculado; a outra, com uma sensação.


O CFO que conhece sua capacidade de absorção não precisa perguntar ao corretor qual franquia é "razoável".


Ele já sabe qual é o limite que sua empresa pode aceitar — e negocia a partir dessa posição.



Resilience Guardians apoia líderes financeiros no cálculo da capacidade real de absorção de perdas e na estruturação de decisões de retenção e transferência de risco baseadas em dados — não em benchmarks genéricos ou intuição de mercado.


 
 
 

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